Wole Soyinka, primeiro africano Premio Nobel, é Iorubá
Wole" Soyinka nasceu no dia 13 de julho, 1934. Deverá, então, completar 85 anos de idade nessa ano de 2019.
Ele é um dramaturgo e poeta nigeriano
e foi agraciado com o Prêmio
Nobel de Literatura em 1986.
Ele é o primeiro Africano a ser laureado com tal premiação.
O seu nome completo é Akinwande Oluwole "Wole" Babatunde Soyinka, ou em escrita Yorùbá, Akínwándé Olúwọlé Babatúnde Ṣóyínká.
Soyinka nasceu em uma família Iorubá em Abeokuta [Abẹokuta] no Estado de Ogun na Nigéria, na época um domínio britânico.
Seu pai, Samuel Ayodele Soyinka, a quem ele chamava de S.A.(pronuncia "Essêyi" que a pronúncia em inglês da palavra 'Essay" ou "Ensaio" literário). Ele era ministro anglicano e diretor da Escola St. Peters [São Pedro] em Abokuta.
A mãe de Soyinka, Grace Eniola Soyinka (a quem ele apelidou de "Cristã Selvagem"), possuía uma loja no mercado próximo e era uma comerciante bastante severa que não poupava nenhum devedor.Ela era também uma ativista política.
Os
nomes, prenomes e sobrenomes Iorubá tem significados que remetem às origens e
às histórias individuais das famílias.
Por exemplo o nome (completo) Akínwándé Olúwọlé
Babatunde Ṣóyínká revela a seguinte história da pessoa portadora desse nome: Prenome:
Akínwándé, que é a compressão da expressão
“Akín+wá+n+dé” ou em Português “Akín = Bravura, heroísmo + wá = busca, procura + n = mim+ dé = chega, retorna: Akínwándé significa "O Heroísmo me procura aqui".
O
nome do meio é Olúwọlé
que é, por sua vez, a compressão da expressão Olú
= proeminente (altivo, elevado) + wọ
= entra (chega) + ilé = em casa.
Essa expressão pode ser também comprimida para Wọlé: Olúwọlé significa "O Altivo chega na casa".
O
nome Babátúndé é geralmente dado a
uma criança nascida após o falecimento de um pai ou avô na família, e significa
“O Pai voltou” e sinaliza o retorno desse membro ao convívio da família. A etimologia
é: Baba = pai+ tún= novamente +dé =
chegar, retornar. Ou seja, Babatúndé significa "O Pai retorna à casa"
O sobrenome é a joia mais preciosa da coleção de histórias que
contam a trajetória ancestral da família dessa pessoa. Seu sobrenome ou nome de
família é Ṣóyínká (que se pronuncia "Xôyinka") e é a compressão da expressão
“Oṣó = Feiticeiros, Bruxos + Yinka = me cercam, ou seja, Ṣóyínká significa
“estou cercado de feiticeiros”.
Antes
de deixar o preconceito ocidental trabalhar a postura da nossa interpretação e
rotular como bruxaria e ignorância essa etimologia, é necessário analisar a
proposta litúrgica ancestral embutida nesse sobrenome: a raiz “Oṣó” nos nomes Iorubá, em geral, está
ligando a família ao culto ao Òrìṣà Oko, que é a divindade da agricultura e da fertilidade.
Mas, por conta da relação entre os mistérios da terra e o resultado do ciclo agrícola
que passa por processos nem sempre lógicos e lineares, a palavra "Oṣó" também significa o mesmo que
"mago" ou "feiticeiro", que é a interpretação preferida
entre todas.
Depois de um estudo na Nigéria e no Reino Unido, Soyinka
trabalhou com o Royal Court Theatre [Teatro Real da Corte],
em Londres.
Ele passou a escrever peças
que foram produzidas em ambos os países (Nigéria e Inglaterra),
nos cinemas e na rádio.
Ele teve um papel ativo na história política da
Nigéria e sua luta pela independência
da Grã-Bretanha.
Em 1965, ele aproveitou o estúdio ocidental dos serviços de radiodifusão da Nigéria [Nigéria Broadcasting Service] para transmitir um
pedido de cancelamento das Eleições Regionais da Nigéria Ocidental.
Soyinka participou ativamente na história política da
Nigéria. Em 1967,
durante a Guerra civil nigeriana, ele foi preso pelo
Governo federal mantido em confinamento solitário na prisão por suas tentativas
de mediar a paz entre os partidos em guerra.
Na prisão ele escreveu poemas que mais tarde viriam a ser
publicados em uma coleção sob o título Poems from Prison [Poemas da
Prisão].
Soyinka foi liberado vinte e dois meses mais tarde após
haver se formado uma frente de conscientização internacional sobre a sua
situação e o perigo que cercava sua vida..
Mais tarde ele recontou a sua experiência no confinamento
em um livro: The Man Died: Prison Notes.[ O Homem morreu: Notas da
Prisão].
Ele é autor de cerca de 30 (trinta) peças de sucesso que
cobrem um período que vai desde 1954 até 2011.
Soyinka tem criticado abertamente as administrações da Nigéria e suas
tiranias políticas mundo afora.
Ele também não poupava críticas e denúncias contra
o regime ditatorial em outro pais africano: a República do Zimbabwe, sob o governo de Robert Mugabe de Zimbabwe (hoje ex-ditador de Zimbabwe).
Muitos de seus escritos tratam do que ele chama de "the oppressive boot and the irrelevance of
the colour of the foot that wears it", algo como: o coturno opressivo e a irrelevância da cor
do pé que o calça.
Essas formas de pensar e de se expressar tem causado grande risco de
morte ao autor, especialmente durante o governo do ditador nigeriano Sani Abacha
(1993-1998).
Durante a ditadura do General Abacha, Soyinka se retirou da Nigéria em exílio
voluntário, passando a maioria desse tempo nos Estados Unidos onde lecionou na University of Emory, na
cidade de Atlanta.
Quando do retorno do governo civil na Nigéria, em 1999, Soyinka aceitou o
cargo de Professor Emérito emérito da Universidade Ife (agora Obafemi Awolowo University, mas somente
com a condição de que nenhum dos ex-generais dos regimes militares anteriores
jamais fossem designados como chanceller daquela universidade no futuro.
Após algum tempo na África, ele
passou a ocupar a cadeira Elias Ghanem Professor of Creative Writing no
Departamento de inglês da University of Nevada, na cidade de Las Vegas,
Estados Unidos.
Ainda voltaremos aqui para falar de Soyinka e de outros autores africanos, e em especial de escritores da literatura Iorubá.
Referencias:
2.
Interview with Wole Soyinka (44 minutes); Disponível
em http://www.nobelprize.org/mediaplayer/index.php?id=408 (acessado em: 13/03/15);
3. Iamagem: https://en.wikipedia.org/wiki/Wole_Soyinka
(acessado em 16/02/19)

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