Ẹni tó Lórí kò ní Fìlà, Ẹni tó ní Fìlà kò Lórí
Cultivo desde meus mais tenros dias,
o hábito da leitura.
Talvez esse costume tenha
influenciado na minha sede por escolaridade. Eu disse: talvez.
E essa prática desde aqueles dias, se
torna diária em minha vida e se amplia a partir do momento em que o estalo de
uma centelha multidimensional ascende em minha mente a chama de uma lanterna
mágica que guia a busca pelo Conhecimento para desempenhar o papel da ferramenta
mais efetiva de acesso a Sabedoria.
A minha relação com Exu é a mola
mestra do meu mecanismo físico-intelectual de exercício da comunicação em mais
de uma língua: eu preciso dessa habilidade de comunicação poliglota como do ar
que respiro.
Eu associo esse dom à uma veia
especial da minha Ancestralidade africana (aliás, é muito comum entre os
africanos a prática poliglota).
A leitura é uma das facetas mais
interessantes da minha particular inserção no mundo Iorubá-Nagô. E é fundamental também para o meu exercício sacerdotal.
Um dos motores a impulsionar esta
performance na direção da inclusão do provérbio Ẹni tó Lórí kò ní Fìlà; Ẹni tó ní Fìlà kò Lórí como tema em
um post no FALA, NAGÔ! é a necessidade de sinalizar a minha preocupação com relação a uma atitude
que percebo em muitos jovens afrodescendentes presentes no meu entorno; uma atitude
caracterizada por uma postura psicossocial negativa.
Ouço desses jovens o que ouvi de
alguns vizinhos jovens como eu (assim com de alguns familiares meus) quando da
minha juventude universitária. Eles diziam: “não estudo por que não tenho
condições”:
O detalhe que eu estava nas mesmas condições que eles. Eu apenas resolvi NÃO ME CONFORMAR..
Ouvir isso é entristecedor por
transmitir um conformismo estático e contrario, por exemplo, a tudo o que Exu representa.
Vou focar nos jovens afrodescendentes
que detém o talento do contato imediato com a Ancestralidade (jovens filhos e
filhas de santo, ogãs, ekedis, etc.) e quero começar dizendo: estude, leia, e
se condicione para o exercício de inserção na Diáspora Africana Internacional.
A nossa África é aqui.
Não se deixe
vencer pela campanha diuturna encampada pelo racismo institucional que quer te convencer,
afrodescendente, que o seu lugar nessa “sociedade” já está marcado: NÃO COMPRE
ISSO!
Use a Internet com vistas a aprender:
aprenda Inglês e Francês; aprenda Iorubá e Fon: Aprenda Kimbundo e Kikongo;
aprenda; aprenda; aprenda. Use de todos os bons meios para se mobilizar.
Foi com esse pensamento que me
deparei com o proverbio Iorubá que diz: Ẹni
tó Lórí kò ní Fìlà Ẹni tó ní
Fìlà kò Lórí, que eu traduziria para o Português dizendo assim: Quem tem
cabeça não tem chapéu; quem tem chapéu não tem cabeça.
Digo sempre para os meus alunos que
para entender a língua Iorubá é preciso se transportar para a plataforma a
partir da qual o Iorubá olha para o mundo em seu redor: ou seja, entender o
Ioruba olhando para o mundo do ponto de vista da comunicação em Português não promete
sucesso: para entender Iorubá precisa olhar o mundo como Iorubá.
No “The Yoruba Blog “, um
post com o título: “Ẹni tó Lórí kò ní
Fìlà Ẹni tó ní Fìlà kò Lórí:The one
who has a Head has no Cap, the one who has a Cap has no Head ” o texto diz
em Iorubá:
Tani eni “Ẹni tó Lórí ti kò ní Fila”?
Enití gbogbo àyè wà fún lati ṣe nkan nla bi ka kọ́ ẹ̀kọ́ ìjìnlẹ̀ lati
pèsè àyè à́ti ohun améyédẹrùn fún ìlú àti ará ìlú tí kò ló àyè
yi.
A tradução que concebo em Português
é:
Quem é aquele que têm cabeça e não
tem (usa) chapéu? É aquele para quem todo apoio (os pais, ou a sociedade provém
todas as condições e as oportunidades) é dado para que estude e se prepare para
realizar as transformações que melhorarão a vida da sociedade e das pessoas,
mas que (POR RAZÕES DE FORO INSONDÁVEL) não aproveitam essa dádiva e, assim, a
desperdiçam.
Na sequência em Iorubá, o texto diz:
Tani “Ẹni tí ó ni
Fìlà tí kò Lórí”? Eni tí ìlú tàbí òbí ti pèsè àyè àti gbogbo ohun
améyédẹrùn fún láti lè kọ́ ẹ̀kọ́ ìjìnlẹ̀ ṣùgbọ́n tó kọ̀ láti kọ ẹ̀kọ́
tàbi kó kọ́ iṣẹ́ ọwọ.
E eu traduzi como:
Quem é aquele que têm chapéu, mas não tem
cabeça? É aquele para quem todo apoio (pais, ou a sociedade provém todas as condições
e as oportunidades) é dado para que estude e se prepare para realizar as
transformações que melhorarão a vida da sociedade e das pessoas, mas que (POR
OPÇÃO CONSCIENTE) se recusa ao exercício do aprendizado e/ou da tarefa social
que lhe cabe.
Finalizo esse post, com um trecho de
um de um poema encorajador recitado na escola fundamental nas terras Iorubá
intitulado “Iṣẹ́
ni oògùn ìṣẹ́”, ou seja, “O trabalho é o antidoto para a pobreza”.
O trecho que escolhi diz assim:
Iṣẹ́
ni oògùn ìṣẹ́, múra si iṣẹ́ rẹ ọ̀rẹ́ mi, iṣẹ́ ni a fi i di ẹni gíga
Bí a kò bá rẹ́ni fẹ̀hìn tì, bí ọ̀lẹ là á rí
Bí a kò bá rẹ́ni gbẹ́kẹ̀lé, à á tẹra mọ iṣẹ́ ẹni
Ìyá rẹ lè lówó lọ́wọ́, Bàbá si lè lẹ́ṣin leekan
Bí o bá́ gbójú lé wọn, o tẹ́ tán ni mo sọ fún ọ
Ohun ti a kò bá jìyà fún kì í lè tọ́jọ́
Ohun ti á fara ṣiṣẹ́ fún ní í pẹ́ lọ́wọ́ ẹni
Bí a kò bá rẹ́ni fẹ̀hìn tì, bí ọ̀lẹ là á rí
Bí a kò bá rẹ́ni gbẹ́kẹ̀lé, à á tẹra mọ iṣẹ́ ẹni
Ìyá rẹ lè lówó lọ́wọ́, Bàbá si lè lẹ́ṣin leekan
Bí o bá́ gbójú lé wọn, o tẹ́ tán ni mo sọ fún ọ
Ohun ti a kò bá jìyà fún kì í lè tọ́jọ́
Ohun ti á fara ṣiṣẹ́ fún ní í pẹ́ lọ́wọ́ ẹni
Tradução:
O trabalho é o antídoto para a
pobreza, trabalho duro, meu amigo
O crescimento depende em grande parte
do trabalho duro
Se você não se encosta em ninguém
(não há ninguém para você depender), você, simplesmente, trabalha mais
Sua mãe pode ser rica, seu pai pode
ter uma fazenda de cavalos
Se você depende da riqueza deles,
você pode acabar na miséria: me ouça!
Ganhos obtidos graciosamente não trazem
valor
Tudo o que é ganho através do
trabalho duro é muitas vezes mais durável.
Referencias:
1.
The Yoruba
blog; “Ẹni
tó Lórí kò ní Fìlà, Ẹni tó ní Fìlà kò Lórí”: “The one who has a Head
has no Cap, the one who has a Cap has no Head” (acessado em 21/02/19)
2.
Omoesiri; A child´s prayer; https://onomeagesse.wordpress.com/2013/11/27/a-childs-prayer/ (acesso em 24/02/19)
3.
Iamgem (Dançarinos Ioruba o Carnaval
de Calabar
https://www.bantuphotos.com/news-events/42 (acessado em 24/02/19).

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